Material de estudo para concursos públicos era ‘maquiado’ para venda ilegal, diz advogado de empresa prejudicada

Segundo a polícia, suspeitos lucraram pelo menos R$ 7 milhões; quarto suspeito foi preso na tarde desta quarta-feira (13).

O advogado Marco Eugle, que defende a empresa Estratégia Concursos, disse, em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (13), que a família suspeita de vender ilegamente materiais de estudo “maquiava” os conteúdos originais, produzidos pela cliente dele para concursos públicos.

 

Segundo as investigações, o grupo lucrou pelo menos R$ 7 milhões com o negócio ilícito; o quarto suspeito do crime foi preso nesta tarde. “Eles tiravam tudo o que remetia à Estratégia Concursos, como a logomarca, e ‘maquiavam’ os documentos”, explica Eugle, especialista em direito digital.
De acordo com o advogado, a empresa, que tem sede em São Paulo, procurou o escritório de advocacia em 2015 porque estava “sofrendo muito” e tendo “perdas vultosas”.

Ainda conforme o advogado, foi a própria defesa da Estratégia Concursos que chegou aos quatro suspeitos. “Por meio do Marco Civil de Internet, conseguimos chegar à associação criminosa e identificar de onde eles agiam. De Curitiba, no caso”, relata.

Na metade deste ano, todo o levantamento feito pelo escritório de advocacia foi entregue à polícia, que deu continuidade às investigações, segundo Eugle.

Agora, é investigado como os suspeitos tinham acesso ao material original que era revendido. “Ainda não sabemos como eles conseguiam ter acesso. A suspeita é a de que usavam dados frios de terceiros e compravam os produtos”, acredita o advogado.
A operação foi batizada de Capitão Gancho 3D, em alusão à pirataria cibernética (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A operação foi batizada de Capitão Gancho 3D, em alusão à pirataria cibernética (Foto: Divulgação/Polícia

Prisões

Durante a segunda-feira (11), a Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), da Polícia Civil, prendeu em Curitiba, três suspeitas do crime. Elas têm 28, 40 e 56 anos e foram presas temporariamente.

O quarto integrante da quadrilha, suspeito de atuar como gerente do negócio, estava foragido e foi preso na tarde desta quarta-feira, ao se apresentar à polícia.

Durante o cumprimento dos mandados, na segunda-feira, um homem de 31 anos também foi preso por porte ilegal de arma de fogo. Todos os suspeitos são todos da mesma família.

Segundo a Delcon, os materiais de estudo comercializados pela Estratégia Concursos eram vendidos sem autorização pelos sites concurseirosunidos.org e concurseirosunidos.com, gerenciados pelos suspeitos.

A operação foi batizada de Capitão Gancho 3D, em alusão à pirataria cibernética. Além da arma, diversos equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos em um prédio comercial no bairro Batel e em uma casa no bairro Boa Vista.

Ainda de acordo com a Delcon, os suspeitos vinham agindo havia mais de três anos e atuavam de forma organizada, com divisões de tarefas, de maneira semelhante a uma estrutura empresarial lícita.

O grupo deve responder por violação de direitos autorais, lavagem de dinheiro, associação criminosa e violação de consumo. Somadas, as penas podem chegar a cerca de 20 anos de prisão.

Além da arma, diversos equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Além da arma, diversos equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Além da arma, diversos equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Fonte: G1

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